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24.6.13

de mudança



Chegou a hora de dizer adeus a Bristol. Não por desgosto pela cidade - Bristol foi provavelmente o melhor lugar em que já vivemos. Acho que simplesmente gostamos de mudar. Nos faz sentir ainda mais vivos. Daqui partimos pro sul da Inglaterra, com promessas de um clima mais ameno e vista pro mar.

Apesar de empolgados com a nova aventura, não foi fácil seguir em frente. Nas semanas anteriores à mudança, muitas vezes suspiramos de saudades antecipadas. "Será que vamos ser tão felizes lá quanto fomos aqui?". Sabíamos que sim, mas doía partir.

Esvaziar o apartamento foi relativamente rápido - não acumulamos muito nesses últimos dez meses. Um dia antes, desmontamos os móveis e devolvemos as roupas nas malas que trouxemos do Brasil. Nos dividimos na limpeza e jantamos no chão da sala. Naquela noite, colocamos os colchões num dos quartos e dormimos todos juntos.

Tudo o que temos coube numa van. Enquanto minha família esperava no carro, subi pra deixar as chaves no apartamento. Ao abrir a porta, lembrei das centenas de vezes que havia feito isso antes. Era sempre muito bom chegar: o calorzinho, o cheiro de comida, as vozes das pessoas que amo. Mas agora, tudo era vazio e silêncio. Antes que percebesse, lágrimas escorreram pelo meu rosto. Não tive coragem de deixar as chaves. Não quis admitir que nunca mais entraria naquele lugar que aprendi a chamar de casa com o coração.

No trajeto até a nova cidade, minha mente vagava num passado não tão distante. Nos jantares que se estendiam muito depois do fim da comida. Nas manhãs preguiçosas de sábado fazendo planos e ouvindo música. No quarto que dividia com as minhas irmãs.

Antes do anoitecer, já estávamos instalados no novo apartamento. Entre caixas e malas, minha mãe começou o jantar - enquanto a Nina e a Alice arrumavam seus quartos e meu pai montava os móveis. As vozes e o cheiro de comida invadiram os cômodos, e eu percebi que o lugar podia ser outro, mas as pessoas que amo estavam lá. E isso já era o suficiente pra ser casa.




16.6.13

primavera em Bristol



 









Foram seis longos meses de frio, até que, num sábado de primavera, o calor resolveu aparecer. Começou como um dia qualquer: acordamos devagar, fizemos planos e saímos de casa carregando nossos casacos habituais. Apesar do inverno ter terminado há mais de um mês, as temperaturas baixas insistiam em se estender pela próxima estação.

Quando abrimos a porta da frente, não sentimos vontade de correr de volta pra dentro, ou de se abrigar no carro, ou de fechar o casaco até o pescoço. O vento que tocou nossos rostos foi um vento quente e suave - quase como um carinho. E, de repente, o mundo à nossa volta se tornou mais leve, colorido e cheio de possibilidades.

No centro de Bristol, onde acontecia um festival de música, muitos tiravam a camisa e dançavam animadamente sob a grama. Crianças nadavam no chafariz de roupa e tudo. E o detalhe é que não fazia nem 15 graus. Incrível como damos mais valor ao que é raro. E calor por aqui é raridade. :)

23.4.13

cambridge










Há trinta anos atrás, minha mãe morou em Cambridge. E eu cresci ouvindo histórias de como ela passeava de bicicleta pela cidade, deitava no gramado pra cantar músicas, dividia uma casa com vinte meninas e cuidava de velhinhos queridos num asilo.

Estar lá foi como assistir ao filme de um livro que li muitas vezes. Algumas partes um pouco decepcionantes, do tipo: "Nossa, achei que o gramado era numa floresta." Mas, a maioria do tempo, fiquei maravilhada por enfim tornar real o que imaginei durante anos. E a companhia da minha mãe fez a experiência ainda mais especial.

A sorte é que as coisas não mudam muito na Inglaterra - e Cambridge parece ter parado no tempo. A escola de inglês que ela estudou continua lá, exatamente na mesma casa. O jardim botânico não foi destruído pra dar lugar a prédios. Na rua principal não entram carros, só bicicletas. E pelos canais ainda deslizam barquinhos silenciosamente.

A Cambridge da minha mãe sempre teve um espaço na minha memória, e agora ocupou meu coração. <3

21.4.13

piscinão




Sábado fomos em uma praia aqui perto onde construíram um piscinão de cimento. A praia era meio estranha, bem lamacenta e cheia de algas. E o piscinão não era exatamente convidativo - ainda mais depois que descobrimos que lá dentro moram vários caranguejos.

Entre nadar com caranguejos ou com algas, eu escolheria as algas. ;)

18.4.13

sozinha em londres











Fazia tanto tempo que não viajava sozinha que tinha esquecido de como era fácil: andar sem rumo e não ter que dar satisfações, parar pra fazer xixi milhões de vezes sem ninguém se espantar, me perder no tempo dentro de lojas e museus.

Mas por melhor que seja, viajar sozinha tem efeitos colaterais. Falar consigo mesmo é um deles. Checar o celular a cada meia hora é outro. E depois de poucos dias, sempre acabo de saco cheio da solidão e desejando alguém pra compartilhar aqueles momentos.

E é por isso que essa viagem a Londres foi perfeita. Saía logo cedo pro curso e ficava lá até às cinco da tarde. Depois passeava até às nove e meia da noite e voltava exausta pro albergue. Teve sol, calorzinho e dias longos. E depois de quatro dias minha família passou pra me buscar e fomos juntos pra Cambridge. Na medida certa. :)

16.4.13

correria


Ultimamente os dias vem me atropelando - já não encontro tempo pra postar no blog nem tirar a sobrancelha.

Semana passada decidi fazer um curso em Londres. Desmarquei compromissos, reservei albergue e parti na manhã seguinte. Depois de alguns dias de atividade intelectual intensa - e eventuais passeios turísticos -, emendei uma viagem a Cambridge com a família. Na volta, fiquei de novo em Londres pra mais um curso.

Enfim em casa - cheia de roupa pra lavar e anotações pra reler -, estou empolgada pra retomar a rotina. Afinal, a vida é feita de calmarias e tempestades. O importante é saber aproveitar o momento e dançar de acordo com o ritmo, né? :)

23.3.13

Bournemouth










Semana passada fomos passear no litoral sul. Bournemouth fica a duas horas e meia de Bristol e é um dos pontos mais turísticos da Inglaterra. Naquele dia nublado, os muitos hotéis à beira-mar estavam vazios, mas é fácil imaginar a cidade fervendo no verão. O que atrai tantos turistas é o fato da praia ter areia - algo raro por aqui.

Escutar o barulho das ondas me teletransportou pra Florianópolis - pra uma tarde tranquila de Janeiro, com o sol em minha pele e meu amor ao meu lado. A sensação durou apenas alguns segundos, até um vento cortante me trazer de volta à realidade.

Apesar da primavera já ter começado, as temperaturas continuam baixas - raramente passando dos 5°C. Foi com espanto que assistimos a pessoas entrarem no mar. Eu, particularmente, nem tive coragem de tirar os sapatos. Fiquei satisfeita só de afundar na areia - por alguns minutos, depois corri pra me esquentar com uma xícara de chá.

Ah! Nevou no caminho até lá. Foi mágico! ;)