12.10.12
um dia livre
- Hum, acredito que vocês estejam uma semana atrasados...
Assim fomos recebidos na maioria das imobiliárias de Bristol.
Aparentemente, 90% das casas foram alugadas na primeira semana de Agosto, restando poucas opções para nós que chegamos sete dias depois...
No que sobrou estavam incluídas as repúblicas de estudantes, casas que não passavam por manutenção há 70 anos, e as que não aceitavam cinco moradores. Sim, chegamos a ouvir que três quartos não eram suficientes para uma família do tamanho da nossa...
Nos primeiros dois dias de busca, concluímos que ia ser muito mais difícil do que imaginávamos. No terceiro dia, percebemos que só tínhamos duas opções: um flat ou uma casa num condomínio afastado. No quarto dia, fizemos imensas listas de prós e contras. No quinto dia, decidimos pelo flat.
Falando assim, até consigo me enganar de que foi simples. Mas como uma libriana ansiosa, tive dores de barriga ininterruptas. Até assinar o contrato, minha cabeça estava cheia de serás: será que a área é boa? será que é muito longe? será que a cozinha é pequena? será? será? será?
Felizmente ficou tudo bem e, a cada dia mais, temos a certeza de que fizemos a escolha certa.
As fotos são do dia seguinte à nossa decisão - o primeiro em que não fomos a imobiliárias e também aquele em que bateram no nosso carro alugado... Afinal, que graça tem um dia tranquilo demais, né? ;)
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5.10.12
dia 2
Em nosso segundo dia na Inglaterra, fomos visitar uma possível escola pra Nina em Stroud - a 40 minutos de Bristol. Chegando lá, concluímos que não era uma boa opção. A escola era ótima, mas ficaria cansativo pra ir e voltar todos os dias...
Seja como for, valeu o passeio. Na hora do almoço, montamos o picnic num parque super florido. Aos poucos, pessoas vinham sentar em volta de um coreto - onde, pra nossa surpresa, instalou-se uma orquestra. Não conseguia acreditar que aquilo estivesse acontecendo: música de graça num lugar lindo de uma cidade minúscula? A primeira que tocaram foi o hino do Reino Unido. Todos se colocaram de pé e cantaram com a mão no peito. A maioria da plateia era velhinhos que, em suas cadeiras, liam o jornal enquanto apreciavam o som. O repertório era bonito e emocionante. Sem a menor vontade de ir embora, fiquei ali pensando nas pequenas coisas que fazem a vida mais feliz.
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2.10.12
de lá pra cá
Faz um mês e meio que chegamos à Inglaterra, mas essa é a primeira semana que me sinto realmente morando aqui.
Antes parecia uma viagem a trabalho - tínhamos hora pra acordar, compromissos, prazos e problemas. Quase não sobrava tempo pra conhecer a cidade e relaxar. Alternávamos entre imobiliárias, bancos, concessionárias, seguradoras e escolas. Lidávamos com assuntos complicados, em uma língua que não é a nossa e num país com costumes diferentes.
Como meus pais ainda não se viram no inglês, tive que ser a porta-voz da família. Foi um estágio pra vida. Aprendi tudo o que é importante na hora de escolher uma boa casa, comprar um carro, abrir conta no banco, fazer um seguro, decidir por uma escola e assinar um contrato.
Descobri que por mais preparado que se esteja, nem sempre tudo sai como planejado. Tivemos muita dificuldade em transferir dinheiro do Brasil pra cá simplesmente porque o sistema caia ou era feriado em algum lugar do mundo.
Me frustrei a perdi a paciência mais vezes do que gostaria. Chorei de cansaço, de saudades, de raiva. Tive a ponto de desistir. Mas daí, mesmo naqueles dias em que tudo estava dando errado, meu pai fazia uma palhaçada e minha mãe começava a cantar. E eu sabia que tudo ia ficar bem. :)
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1.10.12
né?
- A gente não fica com outras pessoas, né?
Foi com essa pergunta que, há exatamente sete anos atrás, começamos nossa vida oficialmente juntos.
- Eu não fico. - respondi.
E como ficaria? Todos os espaços da minha cabeça e coração já estavam ocupados por você... A pergunta parecia boba, mas meu estômago revirou de excitação diante do que poderia significar. Não era um pedido de namoro - era a confirmação de que estávamos na mesma sintonia, o passe livre pra se entregar, o marco de uma nova fase.
Às vezes me questiono se aos 17 anos já sabia a dimensão do que estava vivendo. Talvez não, mas havia sinais. O jeito como queimava por dentro quando nossos olhos se encontravam. O arrepio que subia quando seu dedo encostava no meu. A vontade de ir até a lua quando você sorria pra mim. Os sinais mudaram, mas ainda estão aqui. Hoje com um olhar eu sei o que está sentindo, com um toque sei que me ama, e com um sorriso sei que estamos juntos nessa.
- E você? Fica? - perguntei.
- Também não. - respondeu aquele que há sete anos é meu melhor companheiro, meu melhor amante e meu melhor amigo.
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